Um espaço destinado ao compartilhamento de vivência e emoções relacionadas a vivência com um câncer.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
As lembranças são constantes na vida de quem tem a sensação de ter perdido muito tempo da vida. Eu perdi, perdi quase 41 anos. E o que me despertou? A proximidade da morte ( que coisa boba de se dizer. Ninguém sabe quando ela vai vir, e é melhor assim. Acredite!), ou seja, pela proximidade com algo que me trouxe a verdade sobre a vida: O câncer.
E ai para recuperar 40 anos de vida? Pensei e não perdi mais que um segundo para entender, isso seria impossível, então decidi viver, é viver cada minuto da vida, livre de ansiedades e de nostalgias excessivas, então tento balancear o que espero do futuro com o que tenho do passado e obter como resultado um presente mágico! É assim que tenho vivido e tenho conseguido ser muito feliz nestes últimos 2 anos e seis meses.
Vejam só, para aprender a viver eu tive que encontrar a ameaça da morte! Muito estranho isso, mas entes tarde do que nunca.
Tivesse eu, a mesma vida de antes, eu estaria morta, pois eu tinha um corpo são e um espirito doente e troquei por um corpo doente e um espirito são, livre...
Sou muito feliz e gostaria muito de que todas as pessoas que convivem com um câncer tirassem desta vivência um exemplo, uma aprendizagem que os conduzissem ao crescimento, ao amadurecimento e consequentemente a uma vida real, intensa, integra e acima de tudo muito verdadeira no sentido de que percorremos a estrada da vida terrena rumo a vida eterna prometida pelo nosso criador e salvador.
Peço a Deus muita coragem para viver tudo que me for dado viver e sou muito grata a Deus pela grande oportunidade de aprender e principalmente pela capacidade de discernir que não posso viver tudo que perdi viver pela minha cegueira(41 anos), pois se assim o fizesse, estaria atras de um passado que não volta e estaria perdendo o presente que tenho pela misericórdia de Deus.
Obrigada por seu amor meu Deus!
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
A dinâmica da trajetória de uma pessoa com câncer
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
A VIDA E SEUS ENSINAMENTOS
Se prestarmos atenção a os acontecimentos da vida, veremos que é muito difícil ver alguém satisfeito com a sua vida. Hoje mais cedo, estava eu pensando nos meus sonhos, e eu tenho um sonho que não consegui realizar e guardo num lugar muito especial do meu coração, sei que talvez não seja possível realiza-lo e o mais impressionante é que hoje (agora) vi alguém bem próximo de mim muito depressivo por ter ganhado da vida um feito equivalente ao meu sonho. Muito engraçado isso, ver alguém triste porque ganhou da vida exatamente o que o outro quer , e ficar triste por isso. Vá entender a raça humana!
Ah, mas eu questionei: o que lhe entristece é ter da vida o que sonhei para mim a vida inteira? A pessoa caiu na real e deixou de frescura.kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Mas sou feliz com o que tenho. Só em estar aqui agora, é muitoooooooooo
quarta-feira, 27 de julho de 2011
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Os problemas são vistos de uma outra ótica...
Hoje, 6 meses depois do diagnóstico, já vivi momentos inesquecíveis pela grandeza e pelo sentido que atribuo a eles e os vivo.
Depois de um diagnóstico de câncer a vida muda,
os valores mudam,
o sentido das coisas mudam,
as palavras ditas e ouvidas mudam,
o sorriso,
a lágrima...
É uma nova vida!
Uma vida onde o valor das coisas estão dissociados da imponência com que elas acontecem,
o sentido da vida está unicamente em estar vivo...em respirar!
Os valores que atribuo as coisas são diretamente proporcional ao fato de estar vivendo aquele momento, bom, ou ruim, mas estar vivendo!
As palavras parecem ganhar um sentido diferente, onde a gratidão a Deus se torna a expressão mais constante de minha voz.
O meu sorriso é bem mais feliz! Motivos para sorrir, encontro no fato de estar aqui, agora, escrevendo...
A minha lágrima é um misto de sentimentos, onde a gratidão a Deus sempre é o que mais prevalece.
O prazer de ver a chuva cair, de sentir o calor do sol na pele, de ver o entardecer e com ele mais um dia findando é indescritível!
Acordar cada manhã é uma festa!
Eu tenho uma nova vida!
Uma vida que nasceu diante da grandeza de uma doença ameaçadora e que só quem vive isso é capaz de entender completamente tudo que falo aqui.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Meus filhos, o amor maior...
BLOG
Olhar o câncer com os olhos de mãe, foi ai o pior angulo que encontrei para encarar o câncer.
Eu mãe de quatro (4) filhos e uma doença tida como ameaçadora.
E se eu partisse e deixasse meus filhos?
Como seria a vida deles?
Foi muito difícil encontrar um ponto de equilíbrio pra essa situação.
Esse foi verdadeiramente o meu maior dilema.
Mas um dia observando-os enquanto dormiam pensei:
Eu os amo mais que qualquer coisa no mundo, mas eles não têm na vida só esse amor.
Eles têm o amor de Deus que os amparará.
Mas creiam isso não aquietou meu coração, e foi ai que me percebi fraca em minha fé, então continuei buscando algo mais pra me consolar a dor que o receio de deixá-los me trazia. E não encontrei esse consolo. Dai comecei a me sentir impotente diante da angustia causada pela possibilidade da separação. E um dia eu entendi que pra essa dor não existe consolo, porque o sentimento que mais se aproxima do que Deus tem por nós é o amor de mãe. E esse amor tão bem vivido por mim, não queria dar lugar a conformação diante de uma separação, esse amor materno gritante em mim queria chorar, desesperar-se e suplicar, então me veio à mente, tai algo que posso fazer: Pedir a Deus que me deixe cuidar dos meus filhos. Foi o que fiz: pedi com toda força do meu coração. Daí ficou possível conviver com o receio de deixá-los, pois cada vez que esse fantasma se aproximava eu pedia:
O Senhor me concedeu a graça e a responsabilidade de cuidar de quatro (4) filhos, filhos que antes de serem meus, são seus.
E sei o quanto o Senhor os ama!
Então deve saber que ninguém nesse mundo melhor que eu (mãe) para cuidar deles.
Deixe-me envolvê-los com o meu amor, suprir as necessidades deles vê-los crescer com saúde e nada mais tenho a pedir-te.
Só assim consigo equilibrar o medo e a fé. E no final ainda me dou ao luxo de não me considerar fraca, pois justifico tudo colocando a ameaça que vi diante da doença de um lado e do outro, o imenso amor de mãe e um desejo desenfreado de cuidar dos meus filhos, ai consigo justificar tudo. Pois amor de mãe é grande em todos os sentidos e envolve todo desejo de felicidade, e isso não é egoísmo, isso é só a revelação de um amor maior que eu, mais forte e eterno.
Priscila,
Margareth
e
Catarina